Na praça,
já não há pedras
onde subir para falar.
Há ecrãs suspensos
como céus artificiais
onde nuvens sabem o teu nome.
Cada palavra que lançamos
volta diferente,
polida por mãos invisíveis
que afinam o vento.
As multidões caminham
guiadas por faróis
que mudam de cor
antes que alguém pergunte o porquê.
Chamam-lhe escolha.
Mas as estradas foram desenhadas
com curvas tão suaves
que ninguém sente
quando deixa de decidir.
E no centro da cidade,
um altar sem rosto
conta os passos,
mede o pulso
e sorri em silêncio,
enquanto a verdade
se fragmenta
em reflexos
que competem pela luz.
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