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terça-feira, 7 de abril de 2026

Infocracia

Na praça,

já não há pedras

onde subir para falar.

 

Há ecrãs suspensos

como céus artificiais

onde nuvens sabem o teu nome.

 

Cada palavra que lançamos

volta diferente,

polida por mãos invisíveis

que afinam o vento.

 

As multidões caminham

guiadas por faróis

que mudam de cor

antes que alguém pergunte o porquê.

 

Chamam-lhe escolha.

 

Mas as estradas foram desenhadas

com curvas tão suaves

que ninguém sente

quando deixa de decidir.

 

E no centro da cidade,

um altar sem rosto

conta os passos,

mede o pulso

e sorri em silêncio,

enquanto a verdade

se fragmenta

em reflexos

que competem pela luz.

 

 

 

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