Há um rumor antigo na praça,
vozes repetem o que ouviram,
como se o eco fosse origem.
Caminham com mapas nas mãos,
seguros do caminho,
mas ninguém perguntou
quem desenhou as fronteiras.
Fala-se com convicção,
como se a luz viesse inteira;
no entanto, é apenas uma janela aberta
para um lado do mundo.
O mais inquietante
não é a sombra,
é acreditar que o dia
está completo.
Existe uma cegueira suave, confortável,
acolchoada por certezas prontas,
e sentamo-nos nelas,
agradecidos,
e chamamos isso
pensamento.
Mas o pensamento verdadeiro
é inquieto,
tem arestas,
faz perguntas que rasgam
o tecido da conversa.
Não grita;
inclina-se, e pergunta:
Quem apagou o resto
da paisagem?
Talvez o maior desconhecimento
não seja a ausência
de dados,
mas a ausência de dúvida.
Quando alguém descobre
que não sabe,
nasce ali uma claridade;
não é a verdade,
mas sim o começo.
E esse começo
é uma pequena revolução
silenciosa,
que ninguém anuncia,
mas que muda, para sempre,
a forma como os olhos
tocam o mundo.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.