Seguidores

terça-feira, 7 de abril de 2026

A Ausência de Dúvida

Há um rumor antigo na praça,

vozes repetem o que ouviram,

como se o eco fosse origem.

 

Caminham com mapas nas mãos,

seguros do caminho,

mas ninguém perguntou

quem desenhou as fronteiras.

 

Fala-se com convicção,

como se a luz viesse inteira;

no entanto, é apenas uma janela aberta

para um lado do mundo.

 

O mais inquietante

não é a sombra,

é acreditar que o dia

está completo.

 

Existe uma cegueira suave, confortável,

acolchoada por certezas prontas,

e sentamo-nos nelas,

agradecidos,

e chamamos isso

pensamento.

 

Mas o pensamento verdadeiro

é inquieto,

tem arestas,

faz perguntas que rasgam

o tecido da conversa.

 

Não grita;

inclina-se, e pergunta:

Quem apagou o resto

da paisagem?

 

Talvez o maior desconhecimento

não seja a ausência

de dados,

mas a ausência de dúvida.

 

Quando alguém descobre

que não sabe,

nasce ali uma claridade;

não é a verdade,

mas sim o começo.

 

E esse começo

é uma pequena revolução

silenciosa,

que ninguém anuncia,

mas que muda, para sempre,

a forma como os olhos

tocam o mundo.

 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.