No lugar mais alto,
a palavra pesa;
ou deveria.
Mas, quando desce,
não cai sozinha:
arrasta o espaço,
alisa o chão
e habitua o ouvido.
O que era exceção
torna-se tom.
A grosseria repete-se,
ganha forma
e imita-se sem esforço.
Confunde-se força
com barulho,
clareza
com ataque.
E, pouco a pouco,
o que devia elevar
passa a nivelar,
não por decreto,
mas por hábito.
Até que já ninguém
estranha a queda.
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