Há em mim
mais do que conheço.
Palavras antigas
ainda falam
nos alicerces
do que fui;
separo,
analiso,
descarto,
mas o eco permanece.
A razão vê,
mas não limpa,
e a memória insiste
no que não quero
e devolve-me
ao que já não sou.
O eu
é construção instável:
fragmentos,
imagens,
espelhos quebrados
onde me procuro
e me distorço.
Fui o que esperaram,
tentei ser o que idealizei
e, nesse esforço,
perdi-me
mais do que me encontrei.
O desejo não cessa;
o amor foi pouco
para tanto querer.
Procurei um mundo inteiro,
sem falha,
sem ruído,
sem medida,
mas encontrei
um lugar imperfeito
onde, ainda assim,
se tenta.
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