Aprendi cedo
a não confiar no espaço.
O riso dos outros
não era leve
nem inocente,
tinha direção.
Fiquei onde não queria,
a cumprir o tempo,
a fingir normalidade
enquanto algo em mim
era exposto
sem escolha.
Desde então,
não relaxo:
observo,
antecipo,
defendo-me.
Dizem sombra,
e há,
sem dúvida,
mas há também memória
que não esquece
o lugar
onde foi ferida.
Mudo de rosto,
repito o padrão;
não escolho,
reconheço.
E quando não perdoo,
não é grandeza
nem queda:
é a tentativa
de não validar
o que me marcou.
Fico
não por força,
mas por defesa.
E, no silêncio,
ainda vigio o mundo
como se pudesse
voltar a ser
aquele lugar.
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