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terça-feira, 28 de abril de 2026

Defesa

Aprendi cedo

a não confiar no espaço.

 

O riso dos outros

não era leve

nem inocente,

tinha direção.

 

Fiquei onde não queria,

a cumprir o tempo,

a fingir normalidade

enquanto algo em mim

era exposto

sem escolha.

 

Desde então,

não relaxo:

observo,

antecipo,

defendo-me.

 

Dizem sombra,

e há,

sem dúvida,

mas há também memória

que não esquece

o lugar

onde foi ferida.

 

Mudo de rosto,

repito o padrão;

não escolho,

reconheço.

 

E quando não perdoo,

não é grandeza

nem queda:

é a tentativa

de não validar

o que me marcou.

 

Fico

não por força,

mas por defesa.

 

E, no silêncio,

ainda vigio o mundo

como se pudesse

voltar a ser

aquele lugar.

 

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