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sábado, 27 de junho de 2026

Depois do Ruído

Quando o palco

fica vazio,

 

e a última luz

se demora

sobre a madeira,

 

começa

 

o trabalho

que ninguém vê.

 

Fico

 

com a palavra

que resistiu ao silêncio.

 

As outras

 

partem

 

como o pó

 

que a porta aberta

leva consigo.

 

Há vozes

 

que passam.

 

Outras

 

ficam apenas

o tempo suficiente

 

para ensinar

uma respiração,

 

um silêncio,

 

um verso.

 

Depois

 

também se calam.

 

Volto.

 

Sempre volto.

 

Ao mesmo poema.

 

À mesma procura.

 

Não para o dizer melhor.

 

Mas para chegar

 

um pouco mais perto

 

da verdade.

 

Porque amanhã

 

não desejo

 

mais aplausos.

 

Desejo apenas

 

merecer

 

a voz

 

que ainda procuro.

 

 

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