Aprende-se cedo:
existir
é caber.
Afetos
sob condição,
silêncios
a fazer forma.
O corpo
aprende.
Esconde,
cede,
corrige o desejo
antes do risco
de perder o vínculo.
Aos poucos,
a sobrevivência
toma
o lugar da verdade.
Casa
é o que sobra.
Mas algo fica
sob a forma:
um desvio,
uma vigília,
o incómodo
de ouvir o próprio nome
vindo
de outra sala.
Começa então
a procura.
Não por essência,
por distinção:
o que nasceu,
o que se curvou
para não perder
amor.
E o paradoxo:
deixar de lutar
contra o que é
dispensa
apagar sinais.
Nesse instante,
quase sem marca,
algo cede
no que sustém.
Onde havia ajuste,
uma respiração.
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