A verdade
não chega inteira
ao homem.
O olhar
já nasce tocado
por memória,
medo,
falta.
Mesmo a lucidez
traz um desvio
antigo.
Chamamos verdade
ao limite
do que a consciência
aguenta ver.
Mas quase ninguém
fica
sem abrigo.
Há sempre
um antes,
um querer,
uma falha
sobre o que surge.
Procurar, então,
talvez não seja chegar.
Talvez seja
desfazer,
pouco a pouco,
o que se interpõe.
E perceber
que a verdade
não é de ninguém.
Por vezes,
algo passa,
breve,
e alguém
diante disso.
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