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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Regime

O poder

raramente começa na força.

 

Instala-se

no que um dia parece natural.

 

Uma boca acende o nome,

outra o leva adiante,

e o mundo aprende

a caber

nessa curva.

 

Chamam verdade

ao que circula

sem tropeço.

 

A carne cede,

endireita-se,

aprende a evitar

o erro

antes do passo.

 

Pouco a pouco

a vigilância

já não vem de fora.

 

Mora no reflexo,

na pele,

na maneira de ver

o que se vê.

 

E já ninguém distingue

entre o que pensa

e o que aprendeu

a chamar pensamento.

 

 

(Este poema inspira-se em reflexões de Michel Foucault sobre as relações entre poder, linguagem e produção de verdade.)

 

 

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