O poder
raramente começa na força.
Instala-se
no que um dia parece natural.
Uma boca acende o nome,
outra o leva adiante,
e o mundo aprende
a caber
nessa curva.
Chamam verdade
ao que circula
sem tropeço.
A carne cede,
endireita-se,
aprende a evitar
o erro
antes do passo.
Pouco a pouco
a vigilância
já não vem de fora.
Mora no reflexo,
na pele,
na maneira de ver
o que se vê.
E já ninguém distingue
entre o que pensa
e o que aprendeu
a chamar pensamento.
(Este poema inspira-se em reflexões de Michel Foucault
sobre as relações entre poder, linguagem e produção de verdade.)
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