Os adultos trazem mapas.
Traçam linhas, apontam razões, erguem nomes para o que fazem.
A terra aprende novas fronteiras, as palavras novas defesas.
Mas uma criança não cabe num argumento;
não sabe o tamanho de um Estado, nem a idade de uma disputa.
Conhece uma janela, um copo, uma voz que regressa ao fim do dia.
Depois vêm os números.
Sobem, descem, ocupam lugares nos relatórios.
E a contagem continua.
Mas há sempre algo que fica de fora:
o peso de um caderno por abrir,
uma cadeira que guarda a forma de um corpo,
um nome que deixa de responder.
Os adultos continuam a explicar.
A criança, essa, permanece
onde todas as explicações terminam.
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