O homem
traça linhas
para suportar
o medo do aberto.
Dá nomes
à terra,
à língua,
ao sangue,
como se fosse possível
cortar o mundo
sem atingir
o que respira.
Mas a fome
não tem pátria.
Nem o corpo
hesita
quando cai.
O sofrimento
passa a direito
pelos mapas.
E a morte
não aprende
nenhum lado.
Ainda assim,
levantam muros,
costuram bandeiras,
ensaiam vozes
até separar
parecer natural.
Como se existir
fosse caber
num contorno.
E no entanto,
por baixo
dos nomes,
há mãos iguais
à procura de calor,
há ossos frágeis
dentro de cada rosto
erguido contra o vento.
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