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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Fronteira

O homem

traça linhas

para suportar

o medo do aberto.

 

Dá nomes

à terra,

à língua,

ao sangue,

como se fosse possível

cortar o mundo

sem atingir

o que respira.

 

Mas a fome

não tem pátria.

 

Nem o corpo

hesita

quando cai.

 

O sofrimento

passa a direito

pelos mapas.

 

E a morte

não aprende

nenhum lado.

 

Ainda assim,

levantam muros,

costuram bandeiras,

ensaiam vozes

até separar

parecer natural.

 

Como se existir

fosse caber

num contorno.

 

E no entanto,

por baixo

dos nomes,

 

há mãos iguais

à procura de calor,

há ossos frágeis

dentro de cada rosto

erguido contra o vento.

 

 

 

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