O vazio não cessa:
engrossa,
ganha pele,
imita presença.
O homem não suporta
o que não o atravessa
sem nome.
A dúvida não pergunta:
projeta,
ergue ângulos
no escuro.
O incompreensível
toma língua.
Se o mundo falha,
inventa contorno,
se a vista cede,
acende palavra.
Deus
não surge:
condensa-se
no intervalo exato
em que o espanto
já não basta.
O desconhecido,
vestido de permanência,
deixa de cair no aberto.
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