Seguidores

sábado, 20 de junho de 2026

Escritura

Recebemos um nome antes de o escolher.

 

Uma história antes de a ouvir por inteiro.

 

Aprendemos o já dito.

 

Durante séculos,

mãos passaram mãos,

vozes passaram vozes.

 

Umas quiseram compreender,

outras impor caminho.

 

O texto cresceu:

ganhou margens, comentários, altares.

 

O homem ficou ao fundo.

 

Cada geração deixou a sua camada.

 

E houve um tempo

em que já não distinguíamos memória de leitura,

nem o rosto da luz que o envolvia.

 

Então começámos a ler de outro modo:

não para desfazer a herança,

mas para tocar o que nela persiste.

 

 

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário