Recebemos um nome antes de o escolher.
Uma história antes de a ouvir por inteiro.
Aprendemos o já dito.
Durante séculos,
mãos passaram mãos,
vozes passaram vozes.
Umas quiseram compreender,
outras impor caminho.
O texto cresceu:
ganhou margens, comentários, altares.
O homem ficou ao fundo.
Cada geração deixou a sua camada.
E houve um tempo
em que já não distinguíamos memória de leitura,
nem o rosto da luz que o envolvia.
Então começámos a ler de outro modo:
não para desfazer a herança,
mas para tocar o que nela persiste.
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