Nenhum movimento
vem inteiro.
Até a bondade
transporta uma necessidade
escondida:
alívio,
medo,
a vontade de ficar
longe do que ameaça.
O homem ajuda
e ao mesmo tempo
procura salvar
a imagem
que mantém de si.
Também o amor
nem sempre se entrega.
Às vezes procura
apenas um lugar
onde a própria falta
consiga respirar.
Há quem faça do cuidado
uma forma subtil
de existir acima.
E quem destrua
para sentir
que a própria fragilidade
cede.
Mas nada disso
torna falso
o que acontece.
Somos mistura,
compensação,
consciência incompleta
a tentar tocar
alguma coisa limpa
com mãos
que nunca chegam
sem marca.
Sem comentários:
Enviar um comentário