Registo
Um papel
fica sobre a mesa
sem destino.
O nome está inscrito,
a data também.
Nada o levanta.
O dia continua
noutro lugar
que não a folha.
Mais tarde,
alguém fixa o olhar
e passa.
Fica por fazer
o que está escrito.
O papel mantém-se
onde foi deixado.
Sala de espera
Alguém chama um nome
que não levanta ninguém.
As cadeiras guardam
a mesma distância.
Um número acende
e apaga.
Quem estava antes
já não é o mesmo.
O papel muda de mãos
sem mudar de sentido.
A vez
fica suspensa.
Telefone
O aparelho vibra
sobre a mesa.
Ninguém atende
de imediato.
O nome acende
e cai.
A mão fica perto,
sem tocar.
O som continua
já fora da sala.
Mais tarde,
já não chama.
Fica o gesto
sem resposta.
Reaparecimento
Um nome volta
sem aviso.
Não está mais perto
nem mais claro.
Aparece
como se lá estivesse
antes.
Os registos
não cedem.
Ninguém confirma
o regresso.
Mas algo
reinscreve o lugar.
Dossiê
As pastas alinham-se
como se esperassem.
Cada etiqueta
repete um nome
sem voz.
Há um silêncio
datado.
Alguém abre a gaveta,
hesita,
fecha.
Nada se perde,
tudo deriva.
O que foi guardado
permanece
por acontecer.
Erro
Uma linha muda
sem aviso.
O nome mantém-se certo
em todos os lados.
Mas há um desvio
que não se vê.
Alguém revê,
não encontra falha.
O sistema confirma.
Ainda assim,
fica uma hesitação
no lugar do acordo.
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