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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sem centro visível

No fim

de um ciclo de água,

a memória

fecha devagar.

 

O que antes

sustentava o nome

começa a cansar.

 

Há vozes

mais altas

do que o sentido.

 

Palavras

brilham

sem fixar chão.

 

A linguagem

parte-se

em passagem.

 

Cada frase,

um desvio,

cada resposta,

um reflexo.

 

O impulso

avança

sem saber de si,

como se agir

já não precisasse

de direção.

 

Por baixo,

o que não se vê

reorganiza-se:

 

redes,

fios,

ligações

sem centro visível.

 

Nada cai

de uma vez,

nem começa

de forma limpa.

 

Só um mundo

que fala mais alto,

mas segura menos.

 

(Poema inspirado no simbolismo astrológico do dia 21 de julho de 2026.)

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