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sábado, 20 de junho de 2026

Barranco

Há lugares onde a terra aprende a guardar peso.

 

Não se diz o que lá aconteceu, porque o dizer chega sempre tarde.

 

Chegam primeiro as ordens, depois os passos, depois o modo de fazer caber o que já não cabe em ninguém.

 

A voz que chama nomes não os chama como nomes, só como ausência de resposta.

 

Há roupas no chão que já não são roupas, apenas forma interrompida de alguém.

 

A manhã não distingue. A luz percorre o mesmo caminho sobre tudo.

 

E ainda assim, o mundo continua a usar palavras limpas para organizar o que não tem limpeza.

 

Há sempre uma margem onde o que foi humano deixa de ter contorno e passa a ser apenas registo.

 

Depois, quando o silêncio regressa, não regressa inteiro.

 

Fica preso entre o que se conta e o que não pode ser contado.

 

E é aí que a terra continua a lembrar, sem linguagem, o que a linguagem não conseguiu deter.

 

 

 

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