Talvez o princípio
não tenha sido luz,
mas rotação.
Um movimento antigo
feito no escuro,
como quem empurra a vida
para fora do impossível.
Talvez tenhamos vindo
de um lugar sem nome,
onde tudo parecia acabar
e afinal
começava.
Há coisas que não explodem:
viram-se,
mudam de direção
e insistem.
Por isso giramos,
não por acaso,
mas por memória.
Cada corpo carrega
uma inclinação herdada,
um sentido que não escolheu,
mas cumpre.
Dizem que o universo se expande.
Talvez esteja apenas
a afastar-se do medo
de nunca ter existido.
Se viemos do colapso,
não somos erro,
mas sim resposta.
E se o escuro foi ventre,
então viver
é continuar o movimento
de sair.
Sem garantia,
sem centro fixo,
mas ainda assim
em marcha.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.