Dizem que um deus ali caiu,
mas Espinosa olha
e vê apenas um homem
envolto na poeira das narrativas.
Entre as vozes que o proclamam morto
e as que o erguem divino,
há a possibilidade simples, quase humana,
de ele ter respirado depois do fim
que lhe escreveram.
Nenhum milagre,
nenhuma glória de pedra,
apenas a verdade incómoda
de que a fé precisa da morte
para justificar o céu.
Mas se o homem viveu,
se caminhou na sombra anónima
dos que sobrevivem à própria história,
então desfaz-se o mito
e revela-se o que resta:
a coragem de pensar
sem obedecer ao medo,
e a liberdade de olhar a bíblia
como aquilo que sempre foi;
um livro de homens
a tentar explicar o incompreendido.
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