Há um ódio que não nasce da ferida,
nem da perda,
nem sequer do medo consciente.
Nasce do escuro
quando a luz aparece.
A ignorância não odeia por pensar diferente,
odeia porque o conhecimento
obriga a ver.
Ver desmonta certezas frágeis,
retira o conforto das sombras,
expõe o artifício das crenças herdadas
sem exame.
Por isso o ataque não é debate,
é ruído,
não é pergunta,
é pedra.
O conhecimento não humilha,
apenas revela
e para quem construiu o mundo
sobre a recusa de olhar,
isso é insuportável.
Assim, o ódio cresce
não contra a pessoa,
mas contra a possibilidade
de compreender.
Porque aprender
é perder o direito de continuar igual.
E há quem prefira odiar
a atravessar essa porta.
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