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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

antes da frase,

antes da ideia,

antes de eu saber

se isto é voz ou silêncio.

 

como quem abre a janela

sem decidir ainda

se vai sair.

 

Há quem precise do verbo

para existir,

e há quem exista

antes de falar.

 

O “há” não aponta,

não acusa,

não pede concordância.

Limita-se a ficar.

 

Durante muito tempo

usei-o como abrigo:

dizer há

para não dizer eu,

para não ferir,

para não impor forma

ao que ainda tremia.

 

Depois aprendi

que o “há” também cansa

se não avançar,

se não aceitar

que existir é, às vezes,

escolher.

 

Por isso deixo-o cair

no meio do poema,

como quem larga a mão

por um instante.

 

Falo,

erro,

exponho-me.

 

E no fim,

quando já não preciso de provar nada,

o “há” regressa,

não como defesa,

mas como chão.

 

 

Há coisas que existem

mesmo quando não as digo.

 

E isso,

finalmente,

basta.

 

 

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