Nenhum ser nasce para caber
na mão que o tenta guardar.
Quem fecha o punho
acaba por esmagar
o que teme perder.
A criança que cresce
ouve mais do que palavras;
escuta a vibração do medo
e aprende a fugir dele.
Não invoques o amor
para justificar o cativeiro.
O amor que não respira
volta-se contra
quem o prende.
Há uma lei mais antiga
que a memória dos homens:
tudo o que é verdadeiro
só permanece
onde pode partir.
O que temes não é a perda,
é o espelho:
vês no outro
as sombras
que recusaste curar.
Mas o caminho dele
não é o teu,
e o que tentas evitar
já começou.
Não fujas.
O vínculo que não se possui
não se quebra;
o que se quer possuir
não dura.
Entrega o que amas
ao próprio destino
e guarda apenas isto:
se plantaste verdade,
ela regressará;
se foi medo,
afastar-se-á.
Nenhum gesto teu agora
muda a colheita.
Apenas a coragem
de abrir a mão
e confiar que sempre serás
o que foste,
se souberes guiar-te
pelo melhor em ti
e não pelas feridas
que ainda pedem cura.
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