Não foi o céu que caiu,
foi o acordo invisível
de que certas linhas não se cruzam.
Um homem é retirado do seu lugar
como se o lugar nunca tivesse existido,
e o mundo observa
em silêncio calibrado.
Chamam justiça,
correção,
necessidade.
Os nomes mudam
conforme a mão que escreve.
Mas algo se desloca mais fundo:
a ideia de limite,
a fronteira entre força e direito,
entre poder e lei.
Não é a queda de um só,
é o ensaio de um método.
Hoje ali, amanhã noutro corpo,
noutro país,
noutra desculpa bem formulada.
O perigo não está no estrondo,
está na normalização do gesto,
no aplauso cansado,
na indiferença treinada.
E enquanto uns celebram
e outros temem,
o mundo aprende,
não por palavras,
mas por exemplo.
Depois disto,
ninguém pode fingir
que não viu.
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