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sábado, 3 de janeiro de 2026

Depois da Queda

Não foi o céu que caiu,

foi o acordo invisível

de que certas linhas não se cruzam.

 

Um homem é retirado do seu lugar

como se o lugar nunca tivesse existido,

e o mundo observa

em silêncio calibrado.

 

Chamam justiça,

correção,

necessidade.

Os nomes mudam

conforme a mão que escreve.

 

Mas algo se desloca mais fundo:

a ideia de limite,

a fronteira entre força e direito,

entre poder e lei.

 

Não é a queda de um só,

é o ensaio de um método.

Hoje ali, amanhã noutro corpo,

noutro país,

noutra desculpa bem formulada.

 

O perigo não está no estrondo,

está na normalização do gesto,

no aplauso cansado,

na indiferença treinada.

 

E enquanto uns celebram

e outros temem,

o mundo aprende,

não por palavras,

mas por exemplo.

 

Depois disto,

ninguém pode fingir

que não viu.

 

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