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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Enquanto o Mundo Oscila

Não é o medo que assusta,

é a forma como se organiza.

 

A força muda de nome,

chama-se correção,

necessidade,

ordem urgente,

e atravessa fronteiras como se fossem argumentos.

 

Os povos sofrem: antes, durante,

e depois das promessas.

A liberdade é sempre invocada,

raramente consultada.

 

Os poderosos falam de paz

com mapas abertos,

de justiça

com exércitos prontos,

e chamam estabilidade ao que apenas controlam.

 

Não há inocentes no alto,

nem pureza na queda;

há interesses que se movem,

e vidas que pagam

sem nunca terem sido chamadas à mesa.

 

O perigo não é um tirano,

são vários a aprender

que a força resulta

quando o mundo hesita.

 

Ainda assim, há algo que não cede:

quem recusa aplaudir,

não troca medo por obediência,

insiste em chamar invasão

àquilo que se disfarça de salvação.

 

Enquanto o mundo oscila,

resistir pode ser só isto:

não normalizar a violência,

chamar destino ao abuso,

e deixar que o cansaço não roube o juízo.

 

Pode parecer pouco,

mas é assim que a humanidade

não desaparece de um dia

para o outro.

 

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