Não é o medo que assusta,
é a forma como se organiza.
A força muda de nome,
chama-se correção,
necessidade,
ordem urgente,
e atravessa fronteiras como se fossem argumentos.
Os povos sofrem: antes, durante,
e depois das promessas.
A liberdade é sempre invocada,
raramente consultada.
Os poderosos falam de paz
com mapas abertos,
de justiça
com exércitos prontos,
e chamam estabilidade ao que apenas controlam.
Não há inocentes no alto,
nem pureza na queda;
há interesses que se movem,
e vidas que pagam
sem nunca terem sido chamadas à mesa.
O perigo não é um tirano,
são vários a aprender
que a força resulta
quando o mundo hesita.
Ainda assim, há algo que não cede:
quem recusa aplaudir,
não troca medo por obediência,
insiste em chamar invasão
àquilo que se disfarça de salvação.
Enquanto o mundo oscila,
resistir pode ser só isto:
não normalizar a violência,
chamar destino ao abuso,
e deixar que o cansaço não roube o juízo.
Pode parecer pouco,
mas é assim que a humanidade
não desaparece de um dia
para o outro.
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