Não há dentro nem fora,
há apenas esta superfície que se enrola sobre si,
como se o mundo respirasse no mesmo fôlego que eu.
O caminho que começou à esquerda volta-me pela
direita,
e não sei se regressei ou se me tornei outro.
Talvez o universo seja isto:
uma pele contínua onde cada gesto toca dois lados ao
mesmo tempo,
onde o que faço em mim também te atravessa
e a distância é apenas uma ilusão do olhar.
E nós, que andamos à procura de fronteiras,
encontramos curvas que nos devolvem ao ponto de
partida,
mas com a consciência virada para fora ou para dentro,
quem distingue?
Há superfícies que explicam mais a vida do que
qualquer livro.
Basta torcer uma linha para perceber que tudo o que
separámos
sempre fez parte da mesma volta.
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