Durante muito tempo
acreditámos
que tudo começava na cabeça,
que decidir
era um ato limpo,
racional,
central.
Mas o corpo
sabia antes.
Há um centro mais antigo
a trabalhar em silêncio,
a captar variações mínimas,
a reagir
antes da ideia.
O coração
não pensa,
mas percebe.
Recebe,
avisa,
inclina o gesto
antes da explicação.
Por isso trememos
sem causa aparente,
recuamos,
ou avançamos
sem saber porquê.
A mente chega depois,
organiza,
nomeia,
constrói sentido.
Ouvir o coração
não é metáfora,
é atenção
ao sinal
que atravessa o corpo
antes da palavra.
Talvez viver com mais clareza
não seja pensar melhor,
mas aprender
a não ignorar
o que já estava
a ser dito
em nós.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.