Há quem chame egoísmo
ao acto simples de escutar
o próprio pulso.
Mas egoísmo verdadeiro
é querer que o coração do outro
bata no mesmo ritmo que o nosso,
como se o mundo fosse
um quarto estreito
onde só cabe uma música.
Viver de acordo com os próprios desejos
é um risco íntimo,
um exercício solitário,
um caminho que cobra silêncio
e responsabilidade.
Mais violento
é exigir que o outro abandone
a sua paisagem interior
para habitar a nossa.
Há desejos que são sementes;
crescem apenas no solo certo.
Arrancá-las e plantá-las à força
noutro corpo
não é amor,
é medo disfarçado de regra.
Liberdade não é concordância,
é coexistência.
E maturidade
talvez seja isto:
aprender a caminhar ao lado
sem pedir ao outro
que caminhe por nós.
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