Durante muito tempo
acreditámos que só o que brilha
é o que age.
Que a força vinha do impacto,
do toque direto,
da parte visível da luz.
Mas havia outra corrente
a atravessar a matéria
em silêncio.
Um campo discreto,
quase esquecido,
a torcer a direção das coisas
sem pedir licença ao olhar.
Não empurrava,
orientava,
não iluminava,
transformava.
Assim também em nós:
há gestos que não contam,
emoções que parecem fracas,
pensamentos que ninguém nota.
E no entanto
são eles que mudam o rumo,
que inclinam a bússola interna,
que fazem o coração rodar
alguns graus
em direção à verdade.
Nem tudo o que nos move
faz barulho.
Há forças que trabalham no escuro
há séculos,
à espera
de que alguém finalmente diga:
isto também é luz.
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