Antes do ouro,
antes do cântico afinado,
antes da estrela domesticada,
houve um homem.
Sem halo,
calendário
e certeza de nascer em dezembro.
Caminhava poeira real,
falava a quem tinha fome
e não prometia céu;
prometia dignidade.
Não fundou igrejas,
escreveu dogmas,
nem pediu que o adorassem.
Falava de um Reino
que começava no gesto,
no pão repartido,
na mesa onde cabiam todos.
Depois da morte,
vestiram-no de eternidade;
precisavam que fosse mais do que homem
para suportar a própria culpa.
Ergueram templos
onde ele teria preferido sombra,
trocaram perguntas por respostas finais
e chamaram mistério ao que não quiseram escutar.
Mas se escutares bem,
por baixo do incenso,
das coroas,
das fórmulas,
ainda se ouve
a voz simples:
não temas,
não excluas,
não passes ao lado.
Talvez o verdadeiro nascimento
não seja o dele,
mas o nosso
quando ousamos viver
como se o amor
não precisasse de prova.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.