Seguidores

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O Homem Antes do Incenso

Antes do ouro,

antes do cântico afinado,

antes da estrela domesticada,

 

houve um homem.

 

Sem halo,

calendário

e certeza de nascer em dezembro.

 

Caminhava poeira real,

falava a quem tinha fome

e não prometia céu;

prometia dignidade.

 

Não fundou igrejas,

escreveu dogmas,

nem pediu que o adorassem.

 

Falava de um Reino

que começava no gesto,

no pão repartido,

na mesa onde cabiam todos.

 

Depois da morte,

vestiram-no de eternidade;

precisavam que fosse mais do que homem

para suportar a própria culpa.

 

Ergueram templos

onde ele teria preferido sombra,

trocaram perguntas por respostas finais

e chamaram mistério ao que não quiseram escutar.

 

Mas se escutares bem,

por baixo do incenso,

das coroas,

das fórmulas,

 

ainda se ouve

a voz simples:

 

não temas,

não excluas,

não passes ao lado.

 

Talvez o verdadeiro nascimento

não seja o dele,

mas o nosso

quando ousamos viver

como se o amor

não precisasse de prova.

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.