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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Quando o Som Escuta

O som não sobe.

Quem sobe

é o ruído

quando já não manda.

 

Não há frequência sagrada,

há escuta

suficiente.

 

Um tom

só é profundo

quando encontra

um corpo

disposto

a parar.

 

Não é o número,

nem a afinação,

nem a promessa invisível.

 

É o instante

em que a mente abranda

e o som

deixa de pedir

atenção.

 

A música

não eleva,

acompanha.

 

Como um corrimão discreto

para quem desce

ao próprio silêncio

sem cair.

 

Há sons

que não empurram,

não explicam,

não curam.

 

Ficam.

 

E por ficarem,

abrem espaço.

 

Talvez seja isso

o mais perto

do sagrado:

quando nada

tenta convencer

e algo,

ainda assim,

nos sustém.

 

O resto

é eco.

 

E passa.

 

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