O som não sobe.
Quem sobe
é o ruído
quando já não manda.
Não há frequência sagrada,
há escuta
suficiente.
Um tom
só é profundo
quando encontra
um corpo
disposto
a parar.
Não é o número,
nem a afinação,
nem a promessa invisível.
É o instante
em que a mente abranda
e o som
deixa de pedir
atenção.
A música
não eleva,
acompanha.
Como um corrimão discreto
para quem desce
ao próprio silêncio
sem cair.
Há sons
que não empurram,
não explicam,
não curam.
Ficam.
E por ficarem,
abrem espaço.
Talvez seja isso
o mais perto
do sagrado:
quando nada
tenta convencer
e algo,
ainda assim,
nos sustém.
O resto
é eco.
E passa.
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