Seguidores

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Degrau a Degrau

Não se arranca um hábito

como quem abre a janela

e atira o passado ao vento.

 

Ele conhece a casa,

os corredores,

o peso dos passos repetidos.

 

Foi ficando

porque foi sendo aprendido

devagar.

 

Por isso, não grita quando parte;

desce.

 

Um degrau de cada vez,

entre tropeços e pausas,

entre recaídas que não anulam o caminho.

 

Às vezes senta-se no corrimão,

finge que vai voltar,

mas já não sobe com a mesma força.

 

Mudar não é expulsar,

é acompanhar até à porta

aquilo que já não nos serve.

 

E quando a casa fica em silêncio,

não é vazio;

é espaço.

 

Para que novos gestos

aprendam a ficar.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.