Não se arranca um hábito
como quem abre a janela
e atira o passado ao vento.
Ele conhece a casa,
os corredores,
o peso dos passos repetidos.
Foi ficando
porque foi sendo aprendido
devagar.
Por isso, não grita quando parte;
desce.
Um degrau de cada vez,
entre tropeços e pausas,
entre recaídas que não anulam o caminho.
Às vezes senta-se no corrimão,
finge que vai voltar,
mas já não sobe com a mesma força.
Mudar não é expulsar,
é acompanhar até à porta
aquilo que já não nos serve.
E quando a casa fica em silêncio,
não é vazio;
é espaço.
Para que novos gestos
aprendam a ficar.
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