Guarda-te
da sabedoria que não conhece o sal das lágrimas,
aquela que fala sem atingir ninguém,
mas nunca desceu ao chão
onde a vida realmente sangra.
Afasta-te
da filosofia que observa o mundo
como quem vê pássaros através de uma vidraça,
analisa tudo,
mas não toca nada.
Não busques grandeza
naqueles que esquecem como se curva o coração.
Há alturas que são só máscaras,
há vozes que gritam
porque não sabem escutar.
A verdadeira grandeza
anda descalça,
senta-se ao nível das mãos pequenas,
ouve perguntas que não têm linguagem
e encontra nelas
a única verdade que não envelhece.
A sabedoria que vale a pena
não teme quebrar-se.
Ri porque conhece a alegria,
chora porque conhece o mundo,
inclina-se porque sabe
que o que é puro
só se vê de perto.
Se algum dia duvidares
do caminho a seguir,
procura o que te devolve humanidade,
e não o que te faz parecer imune.
Só o que se ajoelha
pode erguer alguém.
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