Penso muitas vezes no mundo
como numa casa demasiado pequena
para conter a respiração inteira do nosso coração.
E então partem-se paredes,
não por violência,
mas pela insistência silenciosa
do que já não cabe no escuro.
A luz nem sempre chega em clarão;
às vezes escorre pelas fissuras,
gota a gota,
até que percebemos
que a abertura sempre esteve lá,
à espera da coragem de olhar.
E quando enfim olhamos,
descobrimos que a vida
não é só o que foi
nem o que feriu,
mas o espaço inesperado
que se abre
quando deixamos que a esperança,
tão teimosa, tão viva,
nos atravesse.
No fundo, cada rutura
é também uma porta
que aprendemos a empurrar por dentro.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.