No princípio,
o homem
sonha
vencer
o tempo.
Imagina
um dia
em que nada
lhe possa
ser retirado.
Mas os anos
ensinam
outra língua.
Talvez
o tempo
nunca tenha sido
o inimigo.
É ele
que dá medida
ao abraço.
É ele
que nos chama
a escolher.
É ele
que torna
cada encontro
irrepetível.
Se os dias
não acabassem,
quantos deles
desperdiçaríamos?
Se tudo
nos esperasse
para sempre,
que urgência
teria
o amor?
Chega, então,
o instante
em que o desejo
já não é
permanecer.
É deixar
que aquilo
que aprende
a amar,
a compreender
e a cuidar
permaneça.
Talvez
não seja
o homem
quem deva
tornar-se
imortal.
Talvez seja
a humanidade
que,
geração
após geração,
aprenda
a permanecer
mais humana.
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