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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Antes do Nome

No princípio,

ninguém pertencia a ninguém.

 

Havia apenas o frio, a fome, o nascimento e a morte.

 

O fogo reunia os corpos,

a noite igualava os rostos.

 

Depois,

aprendemos a contar

as colheitas,

os animais,

a terra,

os filhos.

 

E, sem percebermos,

começámos a contar também as pessoas.

 

Foi então que a força se confundiu com o direito

e o amor, com a posse.

 

Inventámos deuses.

 

Alguns ensinaram a compaixão,

outros aprenderam a falar a voz do poder.

 

Não eram eles que exigiam.

 

Éramos nós.

 

Porque o medo procura sempre uma eternidade que o proteja.

 

Desde então,

o homem e a mulher

olham-se através de séculos

que ainda não terminaram.

 

Mas, por vezes,

uma criança estende a mão sem perguntar quem deve ir primeiro.

 

Talvez

a história não avance quando inventa novas máquinas.

 

Talvez avance

quando alguém deixa de precisar de estar acima

para finalmente caminhar ao lado.

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