Nascemos
sem mapa.
Primeiro, aprendemos
o frio do calor,
a fome do pão,
o abrigo da tempestade.
Muito depois,
descobrimos que sobreviver
não respondia.
Então demos nomes
às estrelas,
ao tempo,
ao amor,
aos deuses.
Como se nomear
diminuísse o mistério.
Mas o mistério
não recuou:
aprendeu
a caminhar connosco.
Houve quem procurasse o sentido
no alto das montanhas,
nos livros,
no futuro.
Houve quem o visse, por um
instante,
na água
que reflectia o céu
sem o guardar.
Talvez o sentido
nunca tenha sido
um lugar.
Talvez seja
a forma como atravessamos o
desconhecido
sem deixar de reconhecer
que a mesma luz
habita
a folha,
a pedra,
o rosto,
a estrela.
Quando o caminho terminar,
não sei o que permanecerá.
Gostaria apenas
que o silêncio
reconhecesse
que passei
sem estreitar o mundo.
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