O tempo não anda: respira.
Por vezes, estende-se como sombra cansada;
outras, foge, ave súbita, das mãos distraídas.
Dentro de nós, alguém o torce:
faz dele um fio tenso quando dói,
ou um sopro breve quando arde de luz.
E caminhamos.
Sempre caminhamos.
Até que a rua se esgota nos olhos,
e ficamos diante do invisível,
como quem chega
sem nunca ter deixado de partir.
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