Há quem passe
por uma árvore.
Eu descalço-me.
Abraço-lhe o tronco
como quem cumprimenta
um velho amigo.
Não sei
se me responde.
Talvez os meus ouvidos
ainda não saibam escutar
a língua das árvores.
Mas o vento sabe.
Quando atravessa as folhas,
ergue uma música antiga
que me faz acreditar
que também eu
fiquei guardado nela.
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