Existem encontros
que não encurtam
a distância.
Tornam-na
habitável.
Uma casa
feita de vento.
Janelas
sem portas.
Passagens
gravadas
na pele
das palavras.
Um mapa
traçado
em silêncio
e desejo.
Não aproximam
o mundo.
Acolhem-no.
Planta-se
um sofá
entre dois
suspiros.
Estende-se
uma mesa
de luz.
Nessas visitas,
o frio
aprende
o nome.
O relógio
cede
o pulso
à conversa.
E a saudade
torna-se
um corredor
arável,
onde se pode
caminhar
sem perder
o fôlego.
Volta-se
ao mesmo lugar
com as mãos
vazias
e cheias,
como se
a distância
tivesse aprendido
a morar.
E, por um instante,
longo
o bastante,
o que separa
deixa de ser
abismo
e torna-se
lar.
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