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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Habitável

Existem encontros

que não encurtam

a distância.

Tornam-na

habitável.

 

Uma casa

feita de vento.

Janelas

sem portas.

 

Passagens

gravadas

na pele

das palavras.

Um mapa

traçado

em silêncio

e desejo.

 

Não aproximam

o mundo.

Acolhem-no.

 

Planta-se

um sofá

entre dois

suspiros.

Estende-se

uma mesa

de luz.

 

Nessas visitas,

o frio

aprende

o nome.

O relógio

cede

o pulso

à conversa.

 

E a saudade

torna-se

um corredor

arável,

onde se pode

caminhar

sem perder

o fôlego.

 

Volta-se

ao mesmo lugar

com as mãos

vazias

e cheias,

como se

a distância

tivesse aprendido

a morar.

 

E, por um instante,

longo

o bastante,

o que separa

deixa de ser

abismo

e torna-se

lar.

 

 

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