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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Casa

Nenhuma árvore conhece o nome da floresta,

ainda assim, cresce na sua direção.

 

O rio não pergunta ao mar se o reconhecerá,

basta-lhe o movimento.

 

Só o homem aprendeu a separar-se.

 

Deu um nome às coisas,

depois às fronteiras,

depois aos deuses.

 

Talvez não por saber mais,

mas porque descobriu que o tempo também morre dentro de quem o habita.

 

Desde então,

quis possuir o que apenas podia pertencer.

 

Chamou poder ao medo,

verdade à sua voz.

progresso à velocidade.

 

E esqueceu, por vezes,

que uma casa não se conquista.

 

Habita-se.

 

No entanto,

há sempre alguém

que pára diante de uma árvore,

de uma pedra,

de um rosto,

como se os visse pela primeira vez.

 

É por esse olhar que o mundo recomeça.

Não porque descubra um novo caminho,

mas porque recorda

aquele

que nunca deixou

de existir.

 

 

 

 

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