Nenhuma árvore conhece o nome da floresta,
ainda assim, cresce na sua direção.
O rio não pergunta ao mar se o
reconhecerá,
basta-lhe o movimento.
Só o homem aprendeu a separar-se.
Deu um nome às coisas,
depois às fronteiras,
depois aos deuses.
Talvez não por saber mais,
mas porque descobriu que o tempo
também morre dentro de quem o habita.
Desde então,
quis possuir o que apenas podia
pertencer.
Chamou poder ao medo,
verdade à sua voz.
progresso à velocidade.
E esqueceu, por vezes,
que uma casa não se conquista.
Habita-se.
No entanto,
há sempre alguém
que pára diante de uma árvore,
de uma pedra,
de um rosto,
como se os visse pela primeira vez.
É por esse olhar que o mundo
recomeça.
Não porque descubra um novo
caminho,
mas porque recorda
aquele
que nunca deixou
de existir.
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