Às vezes,
olho o mundo e custa-me acreditar
que a
mesma espécie seja capaz de tanta
ternura e de tanta crueldade.
Então,
a pergunta deixa de ser: quem são
eles?
Passa a ser:
quem somos?
Talvez a humanidade não esteja
apenas
naquilo de que somos capazes,
mas naquilo que repetimos sem dar
por isso:
o gesto aprendido,
a ferida transmitida.
Porque em cada um de nós habita a
mesma origem:
a mão que afaga,
e a mão que fere.
Ainda assim,
volto a olhar.
E já não procuro tão longe.
A pergunta encolhe.
Torna-se mais pesada.
Já não é:
quem somos?
Mas:
quem sou eu
quando ninguém vê?
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