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quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Mesma Matriz

Às vezes,

 

olho o mundo e custa-me acreditar que a 

mesma espécie seja capaz de tanta ternura e de tanta crueldade.

 

Então,

 

a pergunta deixa de ser: quem são eles?

 

Passa a ser:

 

quem somos?

 

Talvez a humanidade não esteja apenas 

naquilo de que somos capazes,

 

mas naquilo que repetimos sem dar por isso:

 

o gesto aprendido,

a ferida transmitida.

 

Porque em cada um de nós habita a mesma origem:

 

a mão que afaga,

e a mão que fere.

 

Ainda assim, 

volto a olhar.

 

E já não procuro tão longe.

 

A pergunta encolhe.

 

Torna-se mais pesada.

 

Já não é:

 

quem somos?

 

Mas:

 

quem sou eu

quando ninguém vê?

 

 

 

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