Antes de nos sabermos,
a pele já tremia.
Uma célula
roça outra,
desliza,
agarra.
Um animal
cheira,
afasta-se,
volta.
A vida ensaia
no escuro
do músculo.
Depois chegámos nós
com as nossas palavras:
pusemos rótulos
no toque,
medidas
no calor,
culpa
no suor.
Chamámos normal
ao que repetimos
até já não
nos ferir.
Mas a pele
não conhece mapas.
Sente.
Lembra.
Fica marcada
por aquilo
que a mente
ainda não sabe
nomear.
Cada corpo
vai procurando
onde caber,
sem nunca
caber inteiro.
E talvez seja isso
que nos mantém vivos:
a procura
de uma pele
onde o corpo
possa, enfim,
respirar.
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