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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Pele

Antes de nos sabermos,

a pele já tremia.

 

Uma célula

roça outra,

desliza,

agarra.

 

Um animal

cheira,

afasta-se,

volta.

 

A vida ensaia

no escuro

do músculo.

 

Depois chegámos nós

com as nossas palavras:

 

pusemos rótulos

no toque,

medidas

no calor,

culpa

no suor.

 

Chamámos normal

ao que repetimos

até já não

nos ferir.

 

Mas a pele

não conhece mapas.

 

Sente.

Lembra.

 

Fica marcada

por aquilo

que a mente

ainda não sabe

nomear.

 

Cada corpo

vai procurando

onde caber,

 

sem nunca

caber inteiro.

 

E talvez seja isso

que nos mantém vivos:

 

a procura

de uma pele

onde o corpo

possa, enfim,

respirar.

 

 

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