A pressa de chegar
deixa pouco espaço
para o caminho.
O destino muda
enquanto caminhamos,
e aquilo que ontem procurávamos
pode já não ser
o lugar onde queremos ficar.
Cada passo transforma
um pouco o caminho
e alguma coisa em nós.
Por vezes,
a mudança chega
sem pedir licença.
Outras,
somos nós
que compreendemos
que continuar não é insistir.
Perder o rumo
também pode ser
uma forma de descobrir
que o caminho era outro.
Ninguém sabe
quanto falta,
nem sequer
se existe um lugar
onde finalmente se chega.
Caminhar não é
vencer a distância.
É reconhecer,
passo a passo,
quem nos acompanha,
o que deixamos para trás
e o que fica.
O resto
pertence ao caminho.
E o caminho
não nos promete chegada.
Apenas nos dá
o próximo passo.
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