Quando a minha avó morreu,
eu ainda era
quem a podia perder.
Durante muito tempo,
a ausência
teve o seu lugar.
Hoje,
se a encontrasse,
não saberia
o que dizer.
Ela ficou
na idade em que partiu.
Atravessei
outros medos,
outras perdas.
E a mulher
que guardei comigo
foi mudando
sem envelhecer.
Os mortos
não envelhecem.
Somos nós
que os mudamos
sempre que voltamos
a lembrá-los.
Ficamos
diante de alguém
que a memória
já não devolve.
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