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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Depois

Quando a minha avó morreu,

eu ainda era

quem a podia perder.

 

Durante muito tempo,

a ausência

teve o seu lugar.

 

Hoje,

se a encontrasse,

não saberia

o que dizer.

 

Ela ficou

na idade em que partiu.

 

Atravessei 

outros medos,

outras perdas.

 

E a mulher

que guardei comigo

foi mudando

sem envelhecer.

 

Os mortos

não envelhecem.

 

Somos nós

que os mudamos

sempre que voltamos

a lembrá-los.

 

Ficamos

diante de alguém

que a memória

já não devolve.

 

 

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