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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Aprendizagem

Aprendemos

a guardar o fogo,

depois,

a levá-lo mais longe.

 

Erguemos pedra

sobre pedra,

pergunta

sobre pergunta,

 

até que as mãos

já não soubessem

onde terminava

o recebido

e começava

o inventado.

 

Cada geração

deixou à seguinte

uma ferramenta,

um erro,

uma descoberta,

uma porta entreaberta.

 

E continuámos.

 

Aprendemos

a medir as estrelas

antes de aprendermos

a medir o medo.

 

Conhecemos

o caminho das máquinas,

mas ainda

nos perdemos

uns dos outros.

 

Sabemos construir

o que nunca existiu.

 

Ainda não sabemos

deixar de construir

aquilo que já sabemos

que destrói.

 

Ser inteligente

não é chegar

mais longe,

 

mas aprender

a não voltar

ao mesmo lugar.

 

 

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