Para escrever a minha vida
precisaria
de outra vida.
A primeira
já não me cabia.
Faltavam nomes,
dias,
coisas que aconteceram
e que a memória apaga.
Começaria
pelo que ainda recordo.
Depois,
pelo que imagino
ter acontecido.
E, enquanto escrevesse,
outra vida
iria nascendo.
Nunca chegaria ao fim.
Seria o escritor
de um homem
que já não sou.
E teria de escrever
também essa história.
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