Seguidores

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O lugar à mesa

Houve um tempo

em que as mesas

se abriam à minha passagem.

 

Nelas cabiam

nomes que enchiam jornais,

dinheiro, poder

e pessoas que sabiam

onde estar.

 

Eu estava.

 

Não pelo nome,

nem pela fotografia.

 

Por vezes,

olhava para alguém

e via apenas

um homem

ou uma mulher.

 

Outras,

bastou uma conversa

para o pedestal cair.

 

As mesas foram fechando.

 

Não ouvi as portas.

 

Deixaram de me chamar.

 

Aprendi então

que há lugares

onde a cadeira

é mais conhecida

do que quem se senta nela.

 

E que certas fotografias

só ganham importância

quando já não há ninguém

para se sentar ao lado.

 

Já não tenho lugar à mesa.

 

Tenho apenas

a memória de ter estado.

 

E talvez seja isso

que mais custa:

 

descobrir que, para alguns,

não éramos nós

que ocupávamos o lugar.

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário