Houve um tempo
em que as mesas
se abriam à minha passagem.
Nelas cabiam
nomes que enchiam jornais,
dinheiro, poder
e pessoas que sabiam
onde estar.
Eu estava.
Não pelo nome,
nem pela fotografia.
Por vezes,
olhava para alguém
e via apenas
um homem
ou uma mulher.
Outras,
bastou uma conversa
para o pedestal cair.
As mesas foram fechando.
Não ouvi as portas.
Deixaram de me chamar.
Aprendi então
que há lugares
onde a cadeira
é mais conhecida
do que quem se senta nela.
E que certas fotografias
só ganham importância
quando já não há ninguém
para se sentar ao lado.
Já não tenho lugar à mesa.
Tenho apenas
a memória de ter estado.
E talvez seja isso
que mais custa:
descobrir que, para alguns,
não éramos nós
que ocupávamos o lugar.
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