Nomes não pertencem a uma só vida.
Alguns atravessam o tempo, de voz em voz, como se
recusassem o esquecimento.
Primeiro, alguém os pronuncia.
Depois, outros os recordam.
Por fim, alguém os transporta, sem nunca ter conhecido
o primeiro rosto.
A memória não vive apenas nos retratos,
mas naquilo que continua a ser dito.
Enquanto houver uma voz para os dizer,
ninguém parte inteiramente.
(Este poema é dedicado a Manuel da Rosalina,
guitarrista português nascido na segunda metade do século XIX, cuja arte
permaneceu na memória de quem o escutou.)
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