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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Herança

Nomes não pertencem a uma só vida.

 

Alguns atravessam o tempo, de voz em voz, como se recusassem o esquecimento.

 

Primeiro, alguém os pronuncia.

 

Depois, outros os recordam.

 

Por fim, alguém os transporta, sem nunca ter conhecido o primeiro rosto.

 

A memória não vive apenas nos retratos,

mas naquilo que continua a ser dito.

 

Enquanto houver uma voz para os dizer,

ninguém parte inteiramente.

 

 

(Este poema é dedicado a Manuel da Rosalina, guitarrista português nascido na segunda metade do século XIX, cuja arte permaneceu na memória de quem o escutou.)

 

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